Além da Presença
Existe uma distinção que muda tudo, mas que raramente é ensinada com
clareza o suficiente para aterrissar de verdade na vida do fundador
cristão.
A distinção entre presença e comunhão.
Presença é estar. É ir à igreja. É fazer parte de uma célula ou de um
grupo de homens. É saber a história bíblica, conhecer os livros, falar
a linguagem do evangelho. É cumprir os rituais do pertencimento cristão
com regularidade suficiente para que ninguém questione sua fé.
Comunhão é outra coisa. Comunhão é ser governado. É ter uma relação
com Deus que muda como você toma decisões em segunda-feira de manhã,
não apenas como você se comporta no domingo. É uma intimidade que
interfere — que faz você parar antes de responder de um jeito que
arrepende, que te convence a dizer a verdade quando mentir seria mais
conveniente, que te move a orar antes de agir em vez de pedir perdão
depois de errar.
O fundador moderno é muito bom em presença. Tem todas as credenciais.
Mas muitos são estrangeiros à comunhão.
---
A FÉ DE DOMINGO E A VIDA DE SEGUNDA
Há uma doença religiosa muito específica que afeta fundadores cristãos
em proporção assustadora: a compartimentalização da fé.
Ela funciona assim: o homem tem uma vida de fé e uma vida de negócios.
Em ambas ele é sincero — mas elas não se falam. A fé cuida do domingo,
do vocabulário espiritual, das decisões que têm conotação moral óbvia.
A vida de negócios cuida de tudo o mais — das negociações, das decisões
difíceis, dos momentos em que a ética cede à conveniência, das escolhas
que o homem faz sem perguntar "o que Cristo faria aqui?"
Essa compartimentalização é sofisticada. O homem que a pratica não
necessariamente mente para si mesmo sobre ela. Ele simplesmente não
fez a conexão. Nunca instalou a ponte entre o Cristo que ele louva no
domingo e o CEO que ele é na segunda.
Os sintomas são reconhecíveis: você tem padrões éticos diferentes para
o trabalho e para a fé? Você toma decisões de negócio sem orar? Você
separaria suas reuniões de conselho das suas práticas espirituais porque
"são contextos diferentes"? Você consegue dizer "Cristo é Senhor" e
ao mesmo tempo tomar decisões que demonstram que você é o senhor?
---
QUANDO A FÉ VIRA RITUAL SEM GOVERNO
A fé que não governa produz três sintomas específicos no fundador.
O primeiro é a ansiedade crônica. O homem que clama fé mas não tem
comunhão real com Deus não tem fundamento para sua paz. A paz que Paulo
descreve — "que excede todo entendimento" — não vem de circunstâncias
favoráveis. Vem de uma relação real. Sem relação real, a paz é frágil
demais para aguentar a vida de um fundador.
O segundo é a inconsistência de caráter. O homem que é governado por
Deus tem uma consistência que independe do contexto. O homem que
praticamente a fé sem ser governado por ela muda conforme o ambiente —
generoso na célula, duro nas negociações; humilde no louvor, arrogante
nas reuniões; paciente com irmãos na fé, impaciente com a família em
casa.
O terceiro é o vazio espiritual crescente. Quanto mais tempo passa sem
comunhão real, mais o coração esvazia. Os rituais continuam — as igrejas
frequentadas, as dízimas pagas, os serviços voluntários — mas há uma
sensação de que algo está faltando. Porque está. O ritual sem presença
de Deus é forma sem substância.
---
DIAGNÓSTICO: ONDE ESTÁ A COMUNHÃO?
Reserve cinco minutos. Responda cada pergunta devagar.
Quando foi a última vez que você tomou uma decisão de negócio perguntando
a Deus antes de agir?
Você tem um tempo diário com Deus que é genuinamente íntimo, ou é uma
obrigação cumprida?
O que mudaria nas suas interações desta semana se você realmente acreditasse
que Cristo está presente em cada uma delas?
Existe alguma área da sua vida de negócios ou família que você não
entregou a Deus porque sente que "Ele não entende o contexto"?
Quando você fica ansioso, seu primeiro movimento é para Deus ou para o
celular?
---
ORAÇÃO DE REALINHAMENTO
Senhor Jesus,
Confesso que pratiquei a presença sem a comunhão. Que frequentei a Tua
casa sem me deixar governar por Ti. Que soube sobre Ti sem te conhecer
de verdade.
Quero mais do que isso. Quero que a Tua presença governe a minha segunda-
feira, as minhas negociações, as minhas conversas com minha esposa e
meus filhos. Quero que "Cristo é Senhor" seja uma afirmação sobre como
eu vivo, não apenas sobre o que eu creio.
Me ensina a depender de Ti. A buscar o Teu rosto antes de buscar soluções.
A confiar na Tua suficiência quando tudo ao meu redor grita que não
é suficiente.
Realinha o meu centro. Volta para Ti o que saiu de órbita.
Amém.
